Ex-Tarifário em 2026: impactos da nova legislação tributária na importação de bens de capital e tecnologia

A partir de janeiro de 2026, mudanças introduzidas pela novaLei Complementar nº 224/2025, regulamentadas pela Instrução Normativa RFB nº 2.305/2025, passaram a gerar insegurança jurídica relevante para importadores de Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT) que utilizam o regime de Ex-Tarifário.

A legislação prevê uma redução linear de 10% nos benefícios fiscais federais, o que levantou um questionamento central para o comércio exterior brasileiro:

O regime de Ex-Tarifário está ou não incluído nessa redução?

Até o momento, não há posicionamento definitivo da Administração Tributária, o que tem exigido atenção redobrada das empresas que dependem desse mecanismo para viabilizar investimentos produtivos no Brasil.

Ex-Tarifário e reforma tributária: interpretações jurídicas em debate

Atualmente, coexistem duas interpretações jurídicas principais sobre a aplicação da redução aos regimes de Ex-Tarifário:

1. Interpretação restritiva (maior exposição ao risco)
Segundo essa leitura, o Ex-Tarifário configuraria renúncia fiscal e, por não constar expressamente entre as exceções previstas na nova Lei Complementar, poderia sofrer a redução linear. Nesse cenário, a alíquota zero seria substituída por uma tributação equivalente a 10% da Tarifa Externa Comum (TEC), elevando o custo da importação de máquinas, equipamentos e tecnologia.

2. Interpretação sistêmica e internacional
Outra abordagem sustenta que o Ex-Tarifário não se trata apenas de um benefício fiscal interno, mas de um regime vinculado a compromissos internacionais do Brasil no âmbito do Mercosul, relacionados à Tarifa Externa Comum. Dessa forma, alterações unilaterais por legislação interna poderiam violar acordos internacionais e princípios constitucionais, afastando a incidência da redução linear.

Impactos práticos para importadores de bens de capital e tecnologia

A ausência de orientação oficial clara tem levado empresas a enfrentar decisões estratégicas com impacto direto sobre:

  • Planejamento tributário de importações

  • Formação de custos industriais

  • Viabilidade econômica de projetos de investimento

  • Segurança jurídica das operações de comércio exterior

Na prática, os importadores se veem diante de alternativas complexas, como recolher imposto com possível pagamento indevido, manter a aplicação da alíquota zero assumindo risco fiscal futuro ou adotar medidas administrativas e judiciais para resguardar suas operações.

Como mitigar riscos no Ex-Tarifário em 2026

Diante desse cenário, uma das estratégias mais seguras tem sido a formalização de Consulta de Interpretação da Legislação Tributária junto à Receita Federal, mecanismo que permite obter posicionamento oficial e reduzir significativamente a exposição a autuações futuras.

Empresas que importam bens de capital, máquinas industriais, equipamentos de informática ou telecomunicações devem avaliar cuidadosamente os impactos da nova legislação tributária sobre o Ex-Tarifário, especialmente no planejamento de operações previstas para 2026 e anos seguintes.